sábado, 10 de março de 2012

2012 - Além das aparências


Imagem: os Cavaleiros do Apocalipse

Para entender aquilo que os Antigos queriam dizer com o fim de um mundo, como sucede em relação a 2012, é preciso compreender o seu conceito de mundo e também de ciclo.
Os Antigos não tinham a mesma concepção científica de mundo que nós temos hoje. E nisto não há nenhum juízo de valores, de ser melhor ou pior aquela visão. Na verdade, aquilo que eles tinham, é uma concepção abstrata e um projeto de civilização, com prazos definidos para cumprir, pois conheciam bem os ciclos da História e da humanidade, a qual como tudo o mais que existe, está sujeita a ciclos. São enfim conceitos sutis, que o homem moderno desaprendeu a considerar, na sua refutação radical de valores, e no seu apreço também exagerado pelo hedonismo, sinal da sua perda de referências existenciais, restando apenas o viver-por-viver e a alienação-de-si.
Provavelmente, não se faz necessário muito mais que os desequilíbrios ambientais que sofremos hoje, para caracterizar um final de tempos, sob um Kali Yuga materialista que desestabiliza os Elementos. No próprio conceito do dilúvio, existem versões simbólicas, onde as águas significam na verdade a cultura das massas humanas, como transparece no próprio Livro do Apocalipse de João, através das águas que cercam a Babilônia mítica: "E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas." (17:15)
A renovação do mundo, demanda sair deste estado-de-coisas, para buscar uma nova recriação da cultura, com valores aptos a atingir novas metas de evolução. Pois mesmo que ali a humanidade esteja numa Idade de Ferro, abaixo de quase todas as glórias da raça que termina, ainda assim cabe anunciar o devir, porque nele é que acham a realização das profecias. Notai daí que estas são senhas para a renovação periódica das coisas.
Assim, “mundo” é um ciclo de evolução, um todo de valores e procedimentos que dá origem a uma civilização ou raça-raiz. Quando inicia uma raça-raiz, ocorre um planejamento evolutivo que dá origem a uma série de recursos propiciatórios, sejam escolas de iniciação, sejam valores morais e civilizações, e mesmo possibilidades internas como rencarnação, capaz e vencer o tempo limitado de uma existência.
Porém, terminado o ciclo desta raça, tudo isto se extingue também. Aquele projeto racial termina, as ordens espirituais se esgotam, os valores se esvaziam e as civilizações decaem, e mesmo a reencarnação já não acontece, porque o tempo se acaba. Uma sociedade caótica, necessita se transformar.

Assim, quando vos perguntarem se “o mundo irá acabar”, digam, “não, o mundo já acabou na verdade!” Vejam com os olhos da alma. “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”, é o nome de um famoso livro que marcou época. De fato, tudo se tornou uma desordem e um caos. Nem mesmo a Ciência oferece mais uma referência concreta das coisas, de sorte que a desconstrução dos conceitos é realmente profundo.
As pessoas acham que podem compreender as profecias com os olhos da carne. Quando na verdade, apenas os olhos da alma é que podem alcançar tais revelações. Os antigos conviveram com a escatologia como “metáfora” por milênios, até mesmo dentro de cada geração, tendo em vista a renovação permanente das sociedades. Porém, chegada uma época materialista, as pessoas já não alcançam conceber as coisas como ordem cultural, moral social, espiritual, etc.
Entre os maias e os hebreus, havia um ciclo de 50 anos chamado Jubileu e Fogo Novo, dentro dos quais eles procuravam renovar as coisas para cada geração completa, desfazendo-se do supérfluo, libertando os escravos e redistribuindo as terras. Era uma renovação social, moral e espiritual, permitindo que as coisas prosseguissem em harmonia em todos os planos da existência. Era possível, pois, dentro deste curso de tempo, praticar certos excessos, porém havia este limite, que era o limite das gerações.
Alguém tinha o direito de acumular, mas não de transmitir isto à próxima geração. Com isto, não havia heranças e nem se acumulavam riquezas em demasia. Não havia este incentivo ao ilimitado, para alguém pretender conquistar o mundo.
Já num mundo materialista de tempo linear, onde não se contemplem seriamente os conceitos sutis e se gere caos sobre caos, é natural que se pense no fim das coisas como algo universal e absoluto, mas que também se questione isto por sua inviabilidade tácita, dado o tamanho do mundo, muito embora se acumulem sinais nesta direção, que jamais deixarão de ser apenas sinais, por mais eloqüentes que se apresentem. Contudo, o caos se estabelece realmente desta forma, em planos cada vez maiores. A escatologia espiritual dos antigos, visava prevenir ou retardar esta condição.

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