domingo, 8 de agosto de 2010

As Origens sagradas atlantes


Ao lado: Templo dos Guerreiros, Chichén Itzá

Partimos agora em busca de referências de tradições antigas, no tocante às transições de ciclos e dos procedimentos efetuados então, em função da repetição destas situções na atualidade.
Nosso objetivo é encontrar as pegadas históricas dos relatos dos sábios e das pitonisas, sobre a manifestação da Hierarquia. Helena P. Blavatsky traz a idéia védica da manifestação coletiva dos rishis, em grupos de 7, 14 ou 21 videntes. Alice A. Bailey fala da ascensão grupal dos mestres nas transições de ciclos. Serge R de la Ferrière apresenta a Agartha como uma “assembléia de sábios”, ou seja, a Loja Branca
Queremos para isto fundir, nesta matéria, dois conceitos presentes em certas lendas de duas cidade muito sagradas do México antigo: Teotihuacan e Tula, para alcançar ainda uma terceira, Chichén Itzá em território maia. Tais cidades centralizam, com seus mitos e realizações ímpares, as Idades de Ouro e de Prata das civilizações nahuas. Seguramente houve, anteriormente, os importantes ciclos fundadores dos olmecas e dos zapotecas, que prepararam estas fundações áureas da antigas culturas mexicanas, mas que não obstante representaram centros mais ou menos isolados –mais ou menos ao modo de pólos inciáticos-, subjacentes à eclosão da verdadeira civilização.
O grande centro cerimonial de Teotihuacan é “a cidade onde os homens se tornam deuses”, e a sagrada Tula é a capital do divino rei Quetzalcóatl.

A grande Teotihuacan

Existe uma formosa lenda asteca, sobre haver sido em Teotihuacan que “os deuses se reuniram para dar início ao Quinto Mundo”, na data que os nahuas registraram para 3.113 a.C. Este grande Conclave solar, foi a Assembléia Agarthina na qual se convencionaram os novos códigos da evolução racial, a revelação da síntese e da nova matese, a anunciação do Pramantha ou do Cânone evolutivo futuro.
Ora, Teotihuacan é conhecida como uma metrópole ecumênica, cuja religiosidade estava organizada através de confrarias. De modo que ali se reuniu a nata das lideranças espirituais de uma época, para sacralizar um novo consenso espiritual emergente.
Tais conclaves raciais se realizam a cada 4.900 anos, dando início às Dinastias solares e fundando civilizações. Esotericamente, o permite a liberação de muitos mestres através da ascensão, pois traz uma nova energia ao planeta e consuma um ciclo de evolução. É como se fosse a derradeira tarefa de um mestre, permitindo a sua liberação através da criação de um grande ashram racial.
Como um típico Centro prirmordial, prevalecia em Teotihuacan o culto piramidal, encontrando-se ali as maiores pirâmides do México antigo, uma delas, a pirâmide do Sol, com base semelhante à Grande Pirâmide do Egito. Em formato não muito distinto, é a pirâmide da Lua, ambas com templos no cume antigamente, centralizando a vida religiosa desta grande cidade sacerdotal.
Pirâmide da Lua, Teotihuacan

Destaca-se também na cidade o tardio Templo de Quetzalcóatl, de estilo diferenciado, construído pelos toltecas quando dominaram a cidadela, dando início a uma crescente militarização da região. Em 2010, se revelaram as galerias funerárias desta pirâmide de Quetzalcóatl, abaixo, quando se poderá ter maior nação daquilo que sucedia há 1.800 anos, trazendo à luz grandes respostas sobre esta misteriosa civilização.
Pirâmide da Quetzalcóatl, Teotihuacan. Detalhe das paredes: Quetzalcóatl & Tlaloc

Seguramente muito mais existe ainda a se descobrir nesta grande metrópole. De modo que a História ainda está sendo escrita, especialmente no mais profundo do Novo Mundo.
E estas últimas referências nos remetem, daí, ao centro que está diretamente ligado à figura de Quetzalcóatl, Tula, já no momento subsequente desta civilização, quando o fogo sagrado é retomada por uma dinastia sagrada de base aristocrática, sinalizando assim a passagem de uma Idade de Ouro para uma Idade de Prata.

A profunda Tula

Tula é palavra capital na cutura atlante, denotando no México o espírito da metrópole solar, e no Oriente a idéia de equílibrio.
Na Idade de Ouro, a luz se manifestava diretamente através das instituições, através da força das religiões e das escolas iniciáticas internas, assim como pelo Estado sagrado que cuidava legitimamente dos interesses administrativos e da defesa da nação.
A queda da pureza, traz a violência e esta o valor do guerreiro, ideal este que passa a dominar espiritualmente a sociedade mexicana a partir do ciclo tolteca, quando a violência se refina adquirindo o status de nobreza.
Aqui emerge a idéia do valor e da autoridade, que sobressai na monarquia e na aristocracia. Em Tula, o mito adquiriu vida, através da manifestação da Serpente Emplumada e suas dinastias. Não obstante, a idéia grupal também estará ali muito presente, na lenda e na arte.
Diz a tradição que em Tula se procedeu a coordenação dos calendários de muitas nações, fruto de uma Assembléia de sábios centralizados por um gênio proeminente.
Ademais, a idéia grupal estaria ali representada como unidade, segundo os informes “toltecas” de Carlos Castañeda, através da colunata que encima a o Templo de Quetzalcóatl, que incluem os “guerreiros” que suportavam o telhado do Templo Tlahuizcalpantecuhtli (Estrela da Manhã), abaixo.
O Templo das Mil Colunas, Tula
Detalhe das Atlantes

Nesta versão, este modelo inspiraria os esotéricos grupos-de-ascensão centralizados na figura do nagual, ascensão esta representada, por exemplo, através das borboletas colocadas sobre o coração das guerreiras, acima.
Os quatro degraus ou taludes das paredes inclinadas, indicam as iniciações que estes Adeptos atlantes deveriam galgar, até alcançar o patamar da Hierarquia e se capacitar para a ascensão.
Estas pirâmides atlantes em forma de terraços, possuem um simbolismo tradicional e correspondem de certo modo às mastabas egípcias, que eram os túmulos dos altos Dignatários da corte faraônica. Representam a Colina Primordial dos mitos egípcios –Tula mesma estava situada numa colina-, base da recriação cíclica do mundo, que significa três coisas principais:
1. Num primeiro momento, representa a presença do reino da Hierarquia na Terra, especialmente através da sua Unificação vicária racial, que representa a unicidade de Deus sobre a Terra e sinaliza a evolução da revelação divina.
2. Logo, simboliza aquele escalão médio dos Harmonizadores Planetários, existente entre a humanidade e a Hierarquia evoluindo, como uma elite especial sob a orientação do Adepto único, e ainda coordenando ela mesma a evolução humana.
3. Por fim, sinaliza as classes superiores, especialmente aristocracia & clero, que são mais receptivas à Ordem superior e se organizam elas mesmas em ordens, servindo de elo entre a Hierarquia (incluindo os Harmonizadores Planetários) e o restante da sociedade.

Conclusões

Num certo sentido, Teotihuacan e Tula detiveram atividades complementares, de tal modo que a Cidade dos Deuses era conhecida pela unidade da pluralidade, concentrando a atividade ecumênica, e a Cidade do Sol era conhecida como a diversidade da unidade, irradiando a sabedoria universalista. Assim, na primeira havia uma atividade lunar de análise, e na segunda prevalecia uma atividade solar de síntese.
É notório que houve uma continuidade de Teotihuacan para Tula, e existem mesmo aqueles para quem as lendas de Tula se reportariam na verdade à Teotihuacan, uma vez que a palavra “Tula” era atribuída a todas as Capitais sagradas atlantes. Esta é a opinião de uma das mais destacadas pesquisadoras destas culturas, a arqueóloga Laurette Sejournée, que sustenta um ativo e inspirado trabalho de exegese cultural.
Não obstante, existe em Tula a consolidação de uma cultura e a originalidade de padrões arquitetônicos, como sucede coma qustlao da colunária, uma inovação local –ver as nossas obras “A Mariposa de Fogo” e “Arquitetura Sagrada & Urbanismo Solar”.
Teotihuacan terá sido tomada por invasores cada vez mais violentos, sujeita como estava no seu amplo vale, e os toltecas se mudaram então –ou apenas se dividiram- para Tula, num local mais defensável e inacessível.
Ali a aristocracia atlante se refinou, e se organizaram os grupos de ascensão, legando um modelo para a posteridade, mais especialmente quando os toltecas migraram uma vez mais na sequência, para o outro lado da Baía de Yucatã, em Chichén Itzá, onde a simbologia da colunária do Templo dos Guerreiros evolui para doze colunas, apontando assim para os Mistérios da raça futura, aquela que emerge hoje através do Sexto Mundo (ver mais sobre esta transição em nossa obra “O Espelho de Obsidiana”).
Para conhecer melhor a rica tradição tolteca, existem duas fontes mais conhecidas, a acadêmica e exotérica, que inclui hoje esforços de investigadores esclarecidos como acima citado, e a mística e esotérica que pode ser verificada em autores como Carlos Castañeda. Uma terceira fonte de síntese tem surgido através de nossos próprios trabalhos, reunindo todas as informações úteis e ainda apurando as profecias locais, tal como apresentamos na trilogia “A Tradição Tolteca”.

Da obra "Vivendo o Tempo das Profecias", LAWS

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os verdadeiros Maias: tradição & profecias


Muita coisa tem sido dita sobre os maias, seja nos meios acadêmicos da Old Age ou na mística da New Age, que não corresponde fielmente aos fatos mais profundos da rica e misteriosa cultura maia.
Para realmente conhecer a cultura Maia, é preciso antes compreender aquilo que significa o Pramantha, ou a Tradição, que é universal e se adapta para adquirir os devidos coloridos locais. Por isto, vemos tantos costumes semelhantes em todas as culturas tradicionais.
A palavra Universalismo representa efetivamente o seu fulcro, isto é: a unidade-na-diversidade. Isto também significa aproximar a espiritualidade e o materialismo, criando toda uma bela e rica CULTURA DA ALMA. A Alma é o ambiente das bodas sagradas entre o Céu e a Terra, por isto Alice A. Bailey define uma raça-raiz como “uma sociedade governada ao nível da Alma”. Para isto chegar a ser efetivo, estes povos mantinham, sob condição sine qua non, uma relação estreita com a Hierarquia de Luz, sabedores como eram todos eles da existência do Governo Oculto do Mundo, e na verdade, como a primeira e a mais fundamental das premissas das Sociedades Tradicionais.
Uma cultura tradicional é aquela que cultiva e preserva este Elo sagrado entre a Humanidade e a Hierarquia, alcançando deste modo ser orientada por Aqueles que Caminham na Frente, não no rumo das místicas esferas estratosféricas da consciência cósmica, mas sim pelos caminhos da própria evolução humana, para um dia sim, a humanidade chegar a se capacitar para a sua auto-superação.
Se diz por vezes que, como tem acontecido em tantas ocasiões, a palavra “maia” tem origem num grupo original de sábios, dedicados às Altas Ciências do espírito, como são a Astrologia e a Alquimia. O mesmo teria sucedido aos hindus (cf. René Guenón), aos hebreus e aos caldeus (como a Bíblia sugere), aos incas (fato histórico), etc.
Porém, se estes grupos-sementes alcançaram se transformar em sociedades-raízes, é porque tiveram sabedoria suficiente para poder se comunicar com as pessoas comuns. Para fazer isto, eles também criaram religiões para integrar o povo ao espírito geral das suas elevadas conquistas, especialmente em torno daquelas figuras mais exaltadas que haviam atravessado iniciações maiores e realizado expiações e sacrifícios em favor do bem comum.
Nisto tudo, a cultura “superior” Maia, estava profundamente identificada à cultura Nahua mexicana –a qual aparentemente seria até mesmo um pouco mais antiga, começando com os Olmecas-, distinguindo-se entre si quase tão somente no estilo artístico e na linguagem formal, mais ou menos como os gregos se distinguiam dos romanos. Nenhuma é mais “sagrada” do que a outra, e o estudo de todas elas confere um conhecimento complementar que seguramente supre muitas lacunas deixadas através da destruição feita pela Conquista, na colonização destas sociedades pelos europeus.
Está comprovado que tais culturas foram basicamente semeadas pelos Extremo-orientais, os chineses antigos, em suas navegações inter-oceânicas, tal como a cultura andina teve influência egípcia, além de outros povos como os fenícios, que podem ter auxiliado neste intercâmbio cultural através das suas rotas comerciais.
Em termos de profecias, foram os nahuas quem realmente nos legaram profecias, porque os maias, sempre mais guerreiros, tiveram a sua cultura profundamente destruída pelo invasor europeu. Estas profecias vieram, então, através da tradição dos ciclos mundiais ou raciais, que sabemos pelos poucos códices remanescentes, serem idênticos aos dos maias. Para o final deste Quinto Mundo, em 2012, a escatologia nahua previu uma crise mundial na forma de “fogo e de terremotos”, coisa que está realmente acontecendo. Vale lembrar então, que o fenômeno dos vulcões está intimamente ligado aos terremotos, e tudo indica que, tal como já aconteceu no passado, Gaia, a Mãe Terra ou Pachamama, irá provocar uma reação às ações humanas na forma de atividades vulcânicas “saneadoras”, criando uma capa de cinzas para resfriar o planeta do aquecimento global que o ser humano insiste em provocar, mesmo contra todos os sinais dados pela Natureza, como foi o vulcão da Islândia no começo do ano de 2010. Esta transição de 2012 começa neste ano e termina em meados de 2013, no ápice do grande ciclo de manchas solares, correspondendo ao ciclo de 3,5 anos da profecia do Apocalipse sobre o “começo do fim”.
Assim, ao ler sobre os maias, cabe sempre ter em mente os seguintes itens:
- As profecias maias estão se cumprindo fielmente na atualidade, assim como muitas outras profecias das sociedades tradicionais.
- Os maias não eram “povos das estrelas”, embora detivessem amplos saberes astronômicos, para diferentes fins.
- Os maias não realizavam sacrifícios humanos, mais do que as sociedades modernas o fazem.
- Os maias tinha altas elites mas não eram elitistas, razão pela qual alcançaram organizar sociedades e fundar civilizações.

Da obra "Vivendo o Tempo das Profecias", LAWS

Ilustração: http://algarve-saibamais.blogspot.com/2010/01/os-maias-uma-civilizacao-misteriosa.html